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sábado, 30 de outubro de 2010

O Outono.


Para a pintura, para a escrita ou para outra qualquer disciplina, cada um terá um talento muito próprio.
E isso nasce connosco, apesar de ser algo que depois podemos ou não fazer crescer.
Neste Outono, a pessoa mais especial que conheço, deu os seus primeiros passos na escrita criativa, revelando o que um ser, com apenas 7 anos de idade, pode ser capaz criar, a partir da sua imaginação. Aqui fica o que me impressionou:
"O Outono já chegou. As frutas do Outono são as : as romãs, as pêras e as castanhas. No Outono, os pássaros vão para países mais quentes e as folhas caem. Começam as vindimas. Gosto muito de saltar para cima dos montes de folhas! As primeiras chuvas caem também no Outono. Eu gosto do Outono."
E eu gosto muito de ti!

domingo, 24 de outubro de 2010

A Vila.


Este é um sítio muito especial. Um daqueles que vem nos livros mais enigmáticos da nossa adolescência mas que, apesar do tempo, mantem ainda traços que nos transportam para cenários bucólicos, descritos por escritores e desenhados por pintores do SEC. XIX.
Quando olhamos à volta vemos ainda as árvores centenárias, os palácios, as quintas e as casas apalaçadas, os cafézinhos de ambiente intimista e romântico, as estradas estreitas e sombrias devido à intensidade da serra e do arvoredo...
À noite, com a lua cheia a espeitar por entre as folhas do choupos, que se agitam com os primeiros ventos do Outono ou, de dia, com o Sol a reflectir nas paredes coloridas dos edifícios, a vila transporta-nos para um outro tempo - um tempo que só lemos nos livros, um tempo que nos recorda um passeio romântico de charrete, um tempo que nos faz lembrar o aroma da terra molhada e dos bolos quentes a sair do forno.
Cada vez que volto à vila sinto vontade de reler " Os Maias", de explorar a vida dos Druidas, de saber mais sobre os subterrâneos do Monte da Lua, de me perder nos jardins da Pena e no fim...deliciar-me com as castanhas quentas, apregoadas pelos assadores junto aos cafés Paris e Central.
Há sítios que nos ficam na memória para sempre, tal como eram no seu melhor tempo, mesmo que só os tenhamos conhecido nos SEC. XX e XXI.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um dia quem sabe o que serei...


Um dia quem sabe serei gente. Um dia quem sabe serei grande. Um dia quem sabe serei feliz. Um dia quem sabe, saberei quem sou. Um dia, quem sabe, serei eu mesma a saber sobre tudo e todos.
Na vida de cada um de nós há sempre um dia, ou O DIA. O dia em que conseguimos a sabedoria ambicionada, o dia em que finalmente chegamos ao nosso eu, o momento em que o nosso objectivo de vida é cumprido.
Ainda estou muito longe desse dia, mas acredito que metade do caminho já foi feito e que UM DIA, QUEM SABE, saberei fazer para os outros, profecias com certezas, ao invés de me ficar pelo discurso "Um dia quem sabe isso...." que é aliás um discurso cheio de "SES".
A cada dia damos um pequeno passo para esse grande momento - o momento em que passamos a saber quase tudo. Em cada dia, é dia de aprender e interiorizar algo de novo e que vai contribuir para um conhecimento cada vez maior.
Um dia quem sabe serei e saberei tudo aquilo que quero. Hoje sou, com certeza, parte do que sonhei. Mas hoje sei, que um dia, serei de facto o resultado do que sempre quis ser. Hoje já não digo "quem sabe se..." porque acredito saber o que poderei ser."HOJE SEI QUE" porque matei o "UM DIA QUEM SABE". Hoje sei SER, mesmo que esteja a meio do percurso, o que me faz acreditar, que no final, SEREI DE VERDADE.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Gente que passa


Há pessoas que passam na nossa vida e que têm um papel tão importante que nunca mais as esquecemos. Independentemente das circunstâncias...melhores, piores, felizes, apaixonantes, desesperantes...
Outras aparecem do nada e desaparecem da mesma maneira, sem deixar rasto ou sequer mazela.
Terão todas um papel? Ou as tais que passam sem marcar, são apenas pessoas com quem nos cruzámos, sem um porquê específico?!
Acredito que não.
É de facto uma questão de papel social apenas e todos, com todos e com cada um, temos o nosso próprio papel ou missão.
Há gente muito pouco marcante! Ou porque é por si mesma apagada, ou porque, quando se cruza connosco, pura e simplesmente não nos faz vibrar.
Mas, gente que é gente a sério deixa marcas - boas ou más, mas fica cá para sempre.E é tão fácil, quando olhamos para trás, ver quem teve esse papel na nossa vida. O mais espantoso é que não é preciso chegar à velhice para ter a sabedoria e o tempo para o fazer. Mesmo agora, consigo distrinçar cada ser humano com quem me cruzei e que me marcou ou não. Posso não conseguir perceber o porquê e qual foi afinal o seu papel - mais ou menos activo - mas sei, na perfeição, dizerm quem foi quem e qual a importância que teve.
A verdade é que mais ou menos marcante, todos acabamos por ser uma passagem para com os outros. Por isso, devemos aproveitar o momento, porque mesmo que seja curto e menos intenso, vai deixar algum rasto algures e junto de alguém.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Universo


Há momentos em que "parece que o mundo inteiro se uniu para nos tramar". É uma frase duma música do compositor Rui Veloso, mas que identifica tantos momentos da nossa vida. Parece que as estrelas foram todas de férias e que já não estão no seu pedestal para iluminar o caminho de quem cá está. É como se nos colocassem num espaço fechado, nos apagassem a luz e nos pedissem de seguida para encontrar alguma coisa. Impossível!
A cada dia surge mais uma dificuldade, a cada momento temos mais uma "gaveta" da nossa vida para "arrumar e fechar", a cada semana que passa sentimos que uma vez mais foi difícil e torcemos em segredo para a seguinte seja mais leve.
Os astros devem ter uma explicação para estes momentos de correntes fortes, em que nos sentimos a remar contra uma maré tempestiva, que nos quer ensinar a nadar na perfeição, mas que antes não se cansa de nos pôr à prova, de testar os nossos limites.
O lema é não desistir, respirar fundo e flutuar, sempre a olhar para o céu, até que a nossa estrelinha da sorte volte a iluminar o caminho. Nessa altura, a tempestade vai amainar, o mar acalma e nós, com luz, chegamos lá.

domingo, 12 de setembro de 2010

Começar é viver de novo.


Começar de novo é mesmo isso...começar de novo. Nem se pode dizer que seja recomeçar, porque quando recomeçamos alguma coisa já partimos de uma base, seja ela qual for e quando começamos de novo, estamos a partir do zero. É porque "zerámos" alguma coisa nas nossas vidas.
Eu prefiro começar do zero do que recomeçar. O segundo verbo causa-me insegurança. Fico com a sensação que vou ser obrigada a pôr para trás das costas uma série de coisas que, na verdade, não vou conseguir esquecer. Coisas que não me deixam começar a viver outra vez. Limito-me por isso a recomeçar, sem grande convicção que vou ser capaz de cumprir aquilo a que me propus, sem acreditar que vou chegar ao fim. Depois, quando vir que não consigo, que sou incapaz, vou espernear e prometer que, agora sim, vou recomeçar e que, agora sim, me vou esforçar e que, agora sim, vou ser capaz e assim sucessivamente…
Começar de novo é quase nascer outra vez. É fazer “tábua rasa” do que vivemos até determinado momento e voltar a nascer. É sentir que nos cortam o cordão umbilical e que vamos estar por nossa conta e risco … sem memórias do passado, sem história, sem fantasmas. É uma verdadeira e sentida segunda oportunidade que a vida nos dá e que temos de aproveitar, até porque temos consciência do valor deste segundo fôlego.
Para quem está a começar de novo, desejo toda a SORTE do mundo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quando o Verão acaba.


É sempre difícil chegar ao fim, ainda que esse fim seja o do Verão e do bom tempo. Em crianças porque isso representa também o final das férias grandes e o regresso à escola, apesar da ansiedade para revermos os velhos amigos. Sobretudo, deixamos para trás as amizades de praia, as férias em família, o dia-a-dia sem regras... enfim, uma vida muito folgada.
Na adolescência o fim das férias de Verão faz-nos abdicar dos enormes grupos de amigos e conhecidos, que nos acompanham, de dia na praia e à noite, nos melhores spots nocturnos. Por vezes, com o sol e o mar, deixamos também para trás aquele amor de Verão, que nunca sabemos se, no ano seguinte, ainda estará disponível, se é que na pior das hipóteses não se irá apagar com o Inverno.
Em adultos e apesar da consciência sobre os nossos limites e a durabilidade das coisas boas, o fim não é mais fácil. Afinal vão começar os dias mais curtos e menos luminosos, fazemos a reentrada a 100% no trabalho, no ginásio, nos estudos e formações, nas actividades lúdicas e desportivas dos filhos … e ao mesmo tempo entramos em contagem decrescente para o Natal, para a azáfama dos presentes, sempre a pensar que entretanto talvez consigamos tirar umas mini férias, não com o Sol e o bom tempo do Verão, mas pelo menos com alguma boa vida. Planeamos as férias de neve e golfe para quem gosta, pensamos que talvez possamos ir para fora cá dentro – sempre é melhor que nada - e até sonhamos com uns dias diferentes, num destino tropical, onde o Verão nunca acaba na verdade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Estado de Espírito


Hoje o Mar estava irado e revolto. Tão zangado com o mundo que não deixava ninguém aproximar-se. E os que arriscavam, eram atirados para o chão, pela força das ondas e desapareciam temporarimente na enorme espuma branca, que enquanto nos dava as boas-vindas, nos cuspia de água e areia empedrada, como que em estado de alerta.
O Mar é como nós. Quando não está em dia sim, assanha as garras e empurra tudo e todos. Outras vezes puxa-nos nas correntes, sem vontade de nos deixar sair, tal como nós, quando arrastamos os outros nos nossos próprios devaneios.
Acredito que o Mar tem dias. Estados de espírito. Momentos bons e maus.
Hoje foi um mau momento. Quente sim, tal como o calor que se fazia sentir cá fora, mas cheio de revolta e indignação. E o mais curioso é que, quando ele está assim, também nós ficamos indignados, desmoralizados.
A praia fechou desmotivada por um dia sem o mar caloroso e amigável do Sul.
Afinal até os mais generosos e condescendentes têm o direito a dar mostras da sua raiva, quando é sentida.

domingo, 29 de agosto de 2010

Com ou sem Mundo?


Cada vez somos mais cidadãos do Mundo e ao mesmo tempo, gente sem raízes... gente que não pertence nem aqui, nem ali, nem ao sítio onde nasceu, nem ao local onde vive, nem à família de origem, nem ao seu núcleo familiar quotidiano.
O curioso é que ser cidadão do mundo, na verdadeira acepção da palavra, não é ser desenraizado. Sê-lo é antes pelo contrário ser-se alguém que tem mobilidade natural e adaptada, capacidade de se enquadrar em vários ambientes sociais e profissionais, no seu país de origem, noutro que visita por acaso e onde acaba por permanecer, ou ainda num outro local do mundo, onde escolhe viver e crescer como pessoa.
Cada um de nós encerra em si parte destas duas personagens e consegue ser tanto mais feliz, quanto maior o equilíbrio entre ambos os estados. Os cidadãos do mundo são necessariamente mais realizados e optimistas. Os seres sem mundo trazem consigo mais frustrações, dúvidas sobre quem são e para onde devem seguir, constante necessidade de se sentirem parte de um espaço e grupo, vontade de afirmação, dificuldade de bem-estar até na sua própria casa...
Para os primeiros, as mudanças são um desafio constante e são vistas como um momento aliciante que os faz andar para a frente. Para o segundo grupo, qualquer alteração de casa, trabalho, país, terra, família, amigos e núcleo de conhecidos contribui para a confusão, até porque de um modo geral já passaram por várias e por isso perderam as raízes e o seu mundo.
Estejamos em que estádio for, cabe a cada um de nós, estabelecer os seus limites e regras para não permitir o caos. Mesmo que por vezes a regra possa significar a ruptura completa com a "paz podre” em que se vive e que nos faz parecer tão felizes aos olhos dos outros. É mentira! Não somos! E mais vale romper, ficar sem mundo uma vez mais, e vir a ser um verdadeiro cidadão do mundo, do que permanecer como um “morto/vivo” sem mundo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Amigos


São os que conhecemos desde que nos entendemos como seres humanos e que por muito tempo que estejamos longe, continuam a ter a mesma ascendência sobre nós - olham-nos e conseguem ler os nossos sonhos e pensamentos, mantêm o mesmo à vontade de sempre, apesar da distância e da falta de contacto, compreendem o que sentimos, mesmo que não acompanhem a nossa vida no dia-a-dia e sobretudo, são poucos e raros. Cada um de nós deve poder contar pelos dedos de uma mão, os amigos que se encaixam neste perfil de amizade...
O importante é sabermos que eles existem, quem são, onde estão e, acima de tudo, que podemos contar com a sua amizade incondicional.
Ao longo da vida aparecem depois os "outros amigos". Aqueles que não vêm da infância, mas que nos vão acompanhando nas outras fases também importantes das nossas vidas (escola, faculdade, trabalho, casamento, filhos...). São muitas vezes relações meramente sociais, que acabam por se revelar tão importantes como os "amigos de sempre".
Depois surgem os "amigos surpresa ou revelação". Os que nos surpreendem com a sua atenção, carinho e amizade. Que surgem onde e quando menos esperamos. Pessoas com quem não nos imaginávamos sequer a estabelecer qualquer relação de amizade, mas que aparecem para ficar...
Cada um de nós terá com toda a certeza outros "grupos" de amigos. Mas, acredito que os "de sempre", os "outros amigos" e os "revelação" são, todos eles, muito, muito importantes e vão estar connosco para sempre. E isso é o melhor da amizade.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Maratona da Vida


Hoje vivemos à pressa.
Comemos à presa, dormimos a correr, trabalhamos em stress, vamos ao ginásio num instante (só para a consciência não pesar), deixamos e apanhamos os filhos na escola em minutos (é o tempo de despedir, dizer que se têm de portar bem e dar mais alguns avisos da praxe) e pressionamos nos trabalhos de casa ao fim do dia. Usamos micro-ondas para descongelar e aquecer rapidamente, bimbys para os belos cozinhados em minutos, máquina de café com cápsula para a famosa bica em segundos, torradeira com alerta de tarefa terminada, telemóvel com alarme para reuniões, aniversários, consultas médicas importantes e outros lembretes, mensagens sms pré-definidas para enviar em caso de urgência ("em reunião", ligo mais tarde"...sempre a dizer que naquela altura não podemos falar e que depois tratamos daquele assunto). Somos ainda parte do social media para falar com todos os amigos e não tão amigos ao mesmo tempo, porque assim não gastamos ainda mais tempo e vamo-nos mantendo informados e informando em simultâneo (com frases curtas, mas que resumem os nossos dias, por si só já muito curtos, apesar de os fazermos esticar até ao limite das 24 horas). Enfim. Parece que nos tornámos numa geração sem tempo para viver. Passámos sim a sofrer de falta de ar, paciência, calma etc... tudo por causa do tempo, ou melhor, pela falta dele.
Por vezes pensamos que, de um momento para o outro, esta pressa pode deixar de fazer sentido, porque podemos adoecer, morrer, sei lá. Mas claro só quando acontece alguma desgraça a alguém e pensamos: "coitado (a), tão jovem, com tanta pressa, tanta coisa para fazer e para quê?"
Passadas algumas horas esquecemos e voltamos à maratona da vida, sem sabermos na maior parte das vezes, onde e quando é a meta.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Aos meus avós


Existem pessoas que passam nas nossas vidas e que, mesmo depois de partirem, continuam a estar junto de nós - na nossa memória recente. Homens e Mulheres que, por uma ou outra razão, por vários motivos, por todos os motivos, deixam as suas marcas nos que ainda ficam, independentemente da idade, cor, raça, condição social...
Não temos, na maioria das vezes, a noção do que vamos conseguir guardar. Alguns de nós memorizam as histórias bem humoradas tão próprias daquela pessoa, outros não se esquecem do timbre de voz, das mãos, do sorriso, do cabelo, do olhar...
Mas quase todos escolhemos ficar com numa imagem positiva desse ser humano tão importante, ao invés de nos lembrarmos dos últimos momentos, regra geral mais dolorosos.
Eu faço parte deste grupo. Dos que preferem apagar os piores momentos e guardar daquela pessoa, tudo o que teve de bom antes de morrer. Recordo o que me deram, o que receberam de mim, o que me ensinaram, o quanto foram importantes para o meu crescimento como SER HUMANO. Prefiro lembrar o sorriso, a alegria de viver e de estar com os outros, a forma mais rígida de uns ou mais desprendida de estar na vida de outros, mas sobretudo, não me esqueço do amor que qualquer um deles tinha por mim.

domingo, 25 de julho de 2010

A minha amiga NOITE


À noite chegam todos os medos, sensações estranhas, barulhos esquisitos, pensamentos e alertas sobre as coisas que temos para resolver...
Durante a noite os sonhos e a cabeça na almofada, dão-nos soluções para os problemas que reaparecem com o nascer do sol.
A noite tem, no entanto, uma coisa que adoro: o SILÊNCIO. O tal que na escuridão nos faz ter medo, ouvir sons que não identificamos à primeira, que nos ajuda a reflectir sobre o dia anterior e os dias seguintes, que nos dá paz de espírito, que nos ajuda a adormecer...
A noite é como que uma solidão que nos faz companhia.
Quando era pequena tinha medo do escuro, da noite, das sombras, do silêncio absurdo que me fazia ouvir tantos sons.
Hoje, à noite, ouço o mesmo silêncio com o dobro da atenção, fico de olhos bem abertos e sem me esconder na almofada e, muitas vezes, apesar do meu esforço, não consigo enxergar as tais sombras e barulhos.
A noite para mim mudou. Cresceu comigo, como se fosse a minha melhor amiga.

domingo, 18 de julho de 2010

Estar bem ou não estar...

Estranho!
Estranho que consigamos desejar e ambicionar o desconhecido - uma vida que não conhecemos, mas que pensamos ser aquela que sempre desejámos, alguém com quem nunca sequer falámos mas de quem achamos que gostamos, um lugar onde nunca estivemos antes, mas onde julgamos que nos vamos sentir em casa, uma coisa que não sabemos se afinal vai contribuir para que vivamos melhor, mas que queremos muito alcançar...
É como se estivéssemos bem apenas onde e com quem não estamos, apenas como nunca estivemos, ou como já alguma vez estivemos sim, mas já não estamos. Faz lembrar o poema do António Variações, que falava sobre a insatisfação constante com o que somos e temos em cada momento.
Até com a meteorologia conseguimos ser insatisfeitos - se está muito quente é porque está irrespirável, se chove é porque queremos ver um raio de sol e não podemos, se está frio, é porque nos faz afinal falta o calor...
Hoje é um desses dias. Um dia em que a insatisfação constante me deixa a pensar sobre o que afinal gostaria de ter, ser ou viver e que me faz sentir "ESTRANHA".

sábado, 10 de julho de 2010

Ser Humano


Quase nunca nos apercebemos do momento certo para assumirmos as grandes decisões das nossas vidas.
Na verdade, o ser humano é desatento por natureza. Alheia-se da realidade num estalar de dedos. Enfia a cabeça na areia, tal como a avestruz, quando não quer ver. Uns fazem-no propositadamente, outros porque sem querer saem da órbitra terrestre e navegam à deriva. Outros ainda porque conscientemente são pouco corajosos para as grandes decisões. Enfim. Todos acabamos por deixar escapar algumas das oportunidades, para as decisões e mudanças mais importantes.
Para sabermos em qual dos grupos nos encaixamos, quase que preferimos fazer um "quizz" e dar à resposta do questionário, a interpretação que mais nos convém. Tudo porque somos cobardes, pouco corajoso, comodistas, acomodados, inertes, masoquistas, preguiçosos...
Mas na verdade o ser humano acha-se o máximo - cheio de si, maravilhoso, dono de uma enorme coragem ....
Somos uma fraude. Mostramos o que não somos na realidade. Fazemo-nos passar pelo ideal que cada um tem de si próprio. Transmitimos ao outro uma fachada perfeita e feliz, enquanto por dentro sangramos de dor. Depois, quando olhamos para o nosso interior, choramos de raiva...tudo porque nos falta a coragem.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A terra dos 5 sentidos

Na minha terra vejo o mar e a serra.
Na minha terra cheira a água salgada e a peixe fresco.
Na minha terra os sabores são intensos e doces.
Na minha terra fala-se com sotaque fechado e comem-se as palavras.
Na minha terra gritam-se pregões que mais ninguém entende.
Na minha terra o mar é cor de prata.
Na minha terra o céu azul claro tem um sol quente e forte por companhia.
Na minha terra a lua é luminosa e as estrelas vêem-se ao espelho nas águas da ria.
Na minha terra sinto-me em casa.
Na minha terra ouço, cheiro, vejo, saboreio e sobretudo... na minha terra sinto.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sonho ou realidade?


Sonhar faz falta e faz bem. Sonhar é saboroso. Sonhar faz-nos acordar com mais energia. Sonhar é uma forma de ser feliz.
Todos sonhamos em ter uma "vida de sonho". Todos idealizamos milhares de coisas boas, à noite em sonhos dormidos, ou de dia, quando sonhamos acordados. Quem é que ainda não sonhou com amar e ser amado por uma pessoa especial, que até sabemos quem é, mas que na vida real não temos coragem de abordar? Quem é que ainda não desejou secretamente partir para aquele lugar tão perto ou tão longe, mas que é um sítio de sonho? Quem é que não idealizou ainda tudo o que pode vir a fazer com um prémio em dinheiro de um desses muitos jogos, em que grande parte de nós aposta semanalmente, muitas vezes já sem fé, mas sempre a sonhar com todos os sonhos materiais que pode concretizar? Quem é que ainda não conduziu quilómetros e quilómetros de estrada, em estado de hipnose, sem se aperceber por onde passou e como chegou ao destino, tudo porque durante a viagem passou o tempo a sonhar acordado?
Sonhar faz parte de todos nós. Sonhar é questionar o que queremos para o nosso futuro. Sonhar é responder aos desafios que a vida nos apresenta todos os dias. Sonhar faz-nos encontrar as respostas que precisamos para seguir em frente. Sonhar é uma forma de encarar a realidade. Por tudo isto, sonho em continuar a sonhar e desejo, em todos os meus sonhos, que os sonhos se tornem realidade.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Força da Natureza


Por vezes sinto vontade de me deixar ir à deriva no mar azul e tranquilo do Sul. O mar, seja ele qual e onde fôr, renova-me todas as energias. E mesmo quando está mais revolto - nos famosos dias quentes de levante - ele tem essa capacidade. A capacidade de me fazer sonhar (em tons de rosa), sorrir (com inocência), voar (em pensamento), ter vontade de deixar tudo para tráz e ir à procura da minha verdadeira origem, do meu verdadeiro lugar...
Será que fui peixe noutra vida?! Não acredito. Ou melhor, não gostaria de o ter sido. Prefiro acreditar que o mar esteve sempre presente nas minhas várias passagens por aqui e que por isso, ainda hoje me faz vibrar, faz-me sentir viva e cheia de ar para respirar fundo.
A paz de espírito vem só de olhar para ele ao longe e entranha-se em mim a cada passo que dou na sua direcção.
Hoje acredito que não sou nem fui do mar, mas sei também que é para lá deste mar que vejo sempre que posso, que está o meu verdadeiro eu e tenho a certeza que, um dia, vou encontrá-lo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Boca de Morango


A senhora disse-me que ela tinha "boca de morango". Eu ri-me. Na altura só consegui achar alguma graça e nem sequer percebi se era um elogio ou não.
Mas o que é certo é que tem mesmo. Boca de morango - lábios grandes, carnudos, vermelhos (parecem permanentemente pintados), um brilho constante e um sorriso luminoso.
Hoje sei que foi um elogio. Um elogio enorme. O rosto é de resto perfeito. os olhos são rasgados e com cor de azeitona, desde o dia em que nasceu. O nariz é perfeito. As maçãs do rosto são rosadinhas e quando queimadas do sol atingem um tom dourado escuro, que contrasta com a tez clara. O cabelo é liso e castanho escuro, algo despenteado (sem ganchos, fitas ou outros adereços, porque são todos uma chatice).
Estou certa que vai partir alguns corações daqui para a frente e acredito, que o seu futuro vai estar recheado de boas surpresas.
Para mim este ser foi a maior surpresa...até agora. Mas, de um ser humano tão surpreendente como ela, muitas outras surpresas e coisas boas vão surgir e as más, ou menos boas, vão ser sempre abafadas por um olhar radioso, por um sorriso enorme e por uma palavra mais doce, da Boca de Morango.

A menina que, quando menina, queria escrever


Há muitos anos, não há muitos muitos, mas há já os suficientes para poder falar em "muitos", conheci uma menina que queria ser escritora.
Pode dizer-se que escrevia bem, com alguma piada até...talvez essa fosse uma forma de ter graça. No dia-a-dia não era uma pessoa divertida. Por vezes colocamos na ponta da caneta - agora no teclado do computador - o que gostaríamos de ser e não conseguimos, porque a misantropia nos acanha a alma.
Era o caso da menina.
Mas adiante....escrevia tanto, que os dedos chegavam a doer, as mãos estavam sempre borradas de tinta "bic cristal", os cadernos volumosos das páginas e páginas de textos... tudo porque acreditava que escrevia com piada e um dia podia ter o seu próprio livro. Mentira! Acreditar não chega. Para conseguirmos vir a ser o que sonhamos, temos de acreditar, batalhar, ter uma estrelinha da sorte, um anjo da guarda, um empurrão de alguém especial, algum dinheiro, estar no local certo à hora indicada, encontrar quem acredite em nós e nos dê força todos os dias, ter fé e fazer uso dela, enfim....um cem número de "requisitos".
A menina que queria escrever não fez disso o seu ganha pão, mas escreve sempre que pode, aqui e ali, ali e acolá, algures numa toalha de mesa de um restaurante e muito importante: assina o que escreve, apesar de não se tratar de um livro.
Não sendo escritora de profissão, a escrita está sempre presente nos seus dias e apesar da falta de treino, as palavras ainda fluem, já não com a piada de outros tempos, mas com o vigor de alguém que, apesar da falta dos tais cem requisitos, ainda acredita que um dia, o sonho vai ser real...e que não vai acordar.