Não. Não reza. Mas eles andam por aí.
Fracos, farsantes e afins.
Gente que mente, que engana, que se faz do que não é nem será, gente que puxa dos galões profissionais e sociais para fazer parecer. Gente que cá fora se mostra de uma forma, mas que nas quatro paredes é rasa em princípios, valores e humanidade.
É esta gente que, uma vez confrontada com o seu comportamento apenas consegue dizer: "lamento...lamento muito". São os tais fracos dos quais tenho muita pena. Agora sou a dizer: "lamento muito por eles".
Este é um espaço para escrever o que me vai na cabeça, na alma e no coração... Com os pés mais ou menos assentes no chão ou com a cabeça nas nuvens.
Pesquisar neste blogue
quinta-feira, 7 de maio de 2015
sábado, 20 de dezembro de 2014
Vida chamuscada.
Sim. É verdade. Brincar com fogo faz com que nos queimemos quase sempre, ou sempre, ou muitas vezes. O pior é que, mesmo que saibamos que faz mal, a cor apela, o risco chama-nos, o calor puxa-nos para perto das labaredas.
Na vida, o fogo tem o mesmo papel. Tem perigo, tem apelo, tem cor, tem calor, tem, aparentemente, tudo de bom. Só quando lá entramos e, nem sempre no imediato, sentimos a dor que nos faz querer sair. Sair?! Mas ainda há tempo de sair?!
Por vezes parece que sim! Há tempo de fuga. Só que muitas vezes, não somos suficientemente ágeis, porque ainda estamos inebriados pelo chamamento inicial.
Os mais velhos dizem que as queimaduras fazem parte. Que ficarmos chamuscados é uma forma de aprendizagem, que nos faz evitar as chamas, na próxima labareda que encontrarmos.
Até pode ser verdade. Mas facto é que, mesmo perante a mesma labareda, somos tentados uma, duas, três e mais vezes. Ficamos de todas elas chamuscados e só, alguns, seremos capazes de evitar a queimadura mais grave e que nos deixará marcas profundas.
Na vida, o fogo tem o mesmo papel. Tem perigo, tem apelo, tem cor, tem calor, tem, aparentemente, tudo de bom. Só quando lá entramos e, nem sempre no imediato, sentimos a dor que nos faz querer sair. Sair?! Mas ainda há tempo de sair?!
Por vezes parece que sim! Há tempo de fuga. Só que muitas vezes, não somos suficientemente ágeis, porque ainda estamos inebriados pelo chamamento inicial.
Os mais velhos dizem que as queimaduras fazem parte. Que ficarmos chamuscados é uma forma de aprendizagem, que nos faz evitar as chamas, na próxima labareda que encontrarmos.
Até pode ser verdade. Mas facto é que, mesmo perante a mesma labareda, somos tentados uma, duas, três e mais vezes. Ficamos de todas elas chamuscados e só, alguns, seremos capazes de evitar a queimadura mais grave e que nos deixará marcas profundas.
sábado, 19 de julho de 2014
Insanidade
É talvez a melhor definição de Insanidade que já li ou ouvi.
E assim sendo, parece que todos temos ou já tivemos, um dia, um pouco de
"insanos".
Afinal, quem não passou ainda por isso?
Quem não teimou em repetir padrões, comportamentos, atitudes, erros,
emoções, na expectativa que desta vez é que vai ser?! Agora é que vou conseguir!
Definitivamente é isto que eu quero! Enfim, um chorrilho de sensações de
certeza, que não passam de fruto da insanidade de alguém, que não sabe seguir
um rumo definido e que, pela insanidade inconsciente em que vive, insiste
em acreditar, desmedidamente, nas pessoas, nas coisas e em si próprio, levando
por vezes, à loucura de quem está perto.
Ser insano não é mau. Não é mau, desde que de modo consciente. Desde que
sabendo que repetir e fazer da mesma forma, teimando num resultado melhor, é
pura burrice.
Se estivermos conscientes que, no fim da linha, 1+1 será sempre igual a 2 e
que desse mesmo modo, fazer, sentir, dizer ou viver igual, vai levar ao mesmo
resultado inglório, é ter um grau de consciência de si mesmo, com o qual já vale
a pena conviver.
Não me revejo minimamente na frase de Einstein. Não me revejo porque, um
dia, lá atrás no tempo, já aprendi que os padrões não nos fazem evoluir.
Hoje, sei que, se quiser mais e melhor, terei necessariamente de ser
diferente. De ser eu mesma primeiro, de estar bem comigo, para depois então,
poder ter um melhor resultado. Para mais tarde conseguir estar de bem com a vida,
com os outros, ser feliz e seguir o meu caminho, em paz.
domingo, 29 de junho de 2014
Quando tudo parecia estar no mau caminho....
No outro dia alguém, num grupo em que estava inserida, disse algo como "por vezes não perdemos coisas ou pessoas, mas livramo-nos delas".
Na altura não me fez muito sentido e até achei que era um estado de alma demasiado radical. Nem comentei, porque a conversa não era comigo e nestas coisas, acho melhor ficar de ouvinte.
Dias depois acabei por contar a uma amiga sobre o que tinha ouvido e entendi - na verdade, quando perdemos ou nos afastamos de algo ou alguém, por alguma razão que não é clara ou que não nos parece aceitável, sentimos dor. Dor de perda, dor de adaptação à mudança, dor de solidão. Dor. Não sabemos sequer identificar. Só sentimos o aperto no peito e a ângustia.
O tempo acaba por nos mostrar que, a dor da perda foi sempre menor, do que a dor futura, se não tivessemos passado pela dita perda.
E isto faz pensar? Faz!! Será que nos temos de convencer que, quando somos sujeitos a processos dolorosos de mudança, devemos encarar que essa mudança será sempre para melhor....mesmo que nos custe o sangue naquele momento?!
Será que é aqui que se aplica o ditado "Deus tira com uma mão e dá com a outra?" Ou aquele que diz que "quando se fecha uma porta, é porque se abre uma janela?!".
Não há resposta ou respostas para isto! Mas o tempo diz-nos que sim. Que é assim! Que tudo tem uma razão de ser e que, para certas coisas boas acontecerem, outras, menos positivas, têm de ocorrer. Só assim daremos o devido valor ao que perdemos e ao que acabámos de ganhar (mesmo que o que acabámos de ganhar, seja aquilo que havia sido perdido, mas que surge como uma nova oportunidade).
Na altura não me fez muito sentido e até achei que era um estado de alma demasiado radical. Nem comentei, porque a conversa não era comigo e nestas coisas, acho melhor ficar de ouvinte.
Dias depois acabei por contar a uma amiga sobre o que tinha ouvido e entendi - na verdade, quando perdemos ou nos afastamos de algo ou alguém, por alguma razão que não é clara ou que não nos parece aceitável, sentimos dor. Dor de perda, dor de adaptação à mudança, dor de solidão. Dor. Não sabemos sequer identificar. Só sentimos o aperto no peito e a ângustia.
O tempo acaba por nos mostrar que, a dor da perda foi sempre menor, do que a dor futura, se não tivessemos passado pela dita perda.
E isto faz pensar? Faz!! Será que nos temos de convencer que, quando somos sujeitos a processos dolorosos de mudança, devemos encarar que essa mudança será sempre para melhor....mesmo que nos custe o sangue naquele momento?!
Será que é aqui que se aplica o ditado "Deus tira com uma mão e dá com a outra?" Ou aquele que diz que "quando se fecha uma porta, é porque se abre uma janela?!".
Não há resposta ou respostas para isto! Mas o tempo diz-nos que sim. Que é assim! Que tudo tem uma razão de ser e que, para certas coisas boas acontecerem, outras, menos positivas, têm de ocorrer. Só assim daremos o devido valor ao que perdemos e ao que acabámos de ganhar (mesmo que o que acabámos de ganhar, seja aquilo que havia sido perdido, mas que surge como uma nova oportunidade).
sábado, 26 de abril de 2014
O Caminho Francês
Este ano, decidimos fazer parte do Caminho Francês. O mais conhecido, o mais comercial, o mais famoso… Enfim...o que fez com que a rota ou as rotas de Santiago de Compostela, se transformassem no que são hoje.
Ao contrário do ano passado, somos 3. Eu, a Zélia e o Pai Carmezim. Porque já e a segunda vez, a preparação foi mais fácil, com menos antecedência, com menos rituais. Mas não descurámos nada.
Partimos de Torres Vedras no dia 17 de Setembro.
17 Setembro 2013
Saímos pelas 07H30 da manhã, depois do pequeno-almoço numa padaria aqui perto de casa e de carro, fizemos a viagem de seguida até Vigo, onde fomos à procura do Low Cost Parking, que havia sido reservado na web.
Depois de algumas voltas e de uma paragem numa área de inspecções automóveis, ligámos para o António (que veio a ser famoso e uma preciosa ajuda para nós). O António era de facto um Galego completamente disponível, simpático e homem dos sete ofícios, apesar de trabalhar para a tal empresa low cost.
Estacionado o carro do pai Carmezim no Aeroporto de Vigo, o António levou-nos à estação, onde tínhamos comboio pelas 14h30, para Monforte de Lemos.
Tivemos tempo para uma sanduíche
e uma cerveja numa tasca junto à estação.
Depois, foram 3 horas de comboio até Monforte, sempre ou quase sempre, junto ao Rio Minho. Nunca pensei ver o Rio Minho nesta ou desta perspectiva. Uma paisagem de cortar a respiração!
Já em Monforte, comprámos novo bilhete de comboio, desta vez até Sarria, onde íamos começar a nossa 1ª etapa do Caminho.
Chegámos a Sarria pelas 18H30 locais, ainda com bastante luz natural.
O Hotel Roma, onde íamos pernoitar, ficava mesmo ao lado da estação, o que ajudou, uma vez que estávamos cansados da viagem.
Como sempre, estes sítios, onde dormimos, têm tudo o que precisamos enquanto
peregrinos.
Depois de um banho e de umas havaianas nos pés, fomos até ao centro histórico, pejado de peregrinos, sobretudo jovens espanhóis.
Depois, foram 3 horas de comboio até Monforte, sempre ou quase sempre, junto ao Rio Minho. Nunca pensei ver o Rio Minho nesta ou desta perspectiva. Uma paisagem de cortar a respiração!
Já em Monforte, comprámos novo bilhete de comboio, desta vez até Sarria, onde íamos começar a nossa 1ª etapa do Caminho.
Chegámos a Sarria pelas 18H30 locais, ainda com bastante luz natural.
O Hotel Roma, onde íamos pernoitar, ficava mesmo ao lado da estação, o que ajudou, uma vez que estávamos cansados da viagem.
![]() |
| Portomarin |
Depois de um banho e de umas havaianas nos pés, fomos até ao centro histórico, pejado de peregrinos, sobretudo jovens espanhóis.
Jantámos na zona velha da vila,
onde contámos com o verdadeiro menu galego: caldo, ovos fritos com batata
frita, tortilha e salada. O vinho branco ajudou a dormir melhor nessa noite. O
dia seguinte ia ser pesado. Eram 23 Km até Portomarin.
Dia 1 - 18 Setembro 2013
(23 Km
- Sarria - Portomarin)
Saímos do Hotel Roma pelas 08h00 da manhã
para um pequeno-almoço mesmo em frente ao hotel, no bar de uma portuguesa de
nome Margarida (era de Mirandela e estava na Galiza há mais de 20 anos).
Para não variar, tomámos um "cola cao com tostada" e lá fomos para a trilha do caminho, já na saída da vila de Sarria.
Para não variar, tomámos um "cola cao com tostada" e lá fomos para a trilha do caminho, já na saída da vila de Sarria.
Impressionante, mas raramente neste troço
conseguíamos estar sozinhos. Os peregrinos eram tantos, que quase nunca havia a
paz, que sentimos em 2012 no Caminho Português.
O pai Carmezim pôs o turbo e nunca mais
o apanhámos.
A dada
altura acabei por ficar sozinha, porque a Zélia havia ficado para trás para
tirar fotografias.
Parei numa loja de souvenirs para
colocar carimbos nos 3 passaportes de peregrino, que estavam comigo.
Choveu bastante durante os primeiros
quilómetros, mas a temperatura estava amena e acabei por ter de parar no meio
da floresta para tirar o ponche de protecção para a chuva.
Finalmente a Zélia apareceu.
O caminho nesta zona era de facto fantástico - estradas romanas ao longo de um mundo rural, agora sim silencioso e sem ninguém à volta.
Parámos para um café expresso DELTA
em Macedo da Serra e seguimos para Ferreiros para almoçar.
Neste troço a ruralidade do espaço
acompanhou-nos. Vimos vacas, cavalos e, pela primeira vez, encontrámos um
peregrino a cavalo. Muitas bicicletas, tal como no ano anterior, mas aqui, ao
contrário de 2012, não encontrámos portugueses.
As nacionalidades variavam entre muitos espanhóis, australianos, canadianos, franceses, italianos e como sempre.....brasileiros.
Conhecemos nesta altura o Ricardo Cardoso de Santa Catarina/Brasil, que estava no caminho há quase um mês e a fazê-lo sozinho.
As nacionalidades variavam entre muitos espanhóis, australianos, canadianos, franceses, italianos e como sempre.....brasileiros.
Conhecemos nesta altura o Ricardo Cardoso de Santa Catarina/Brasil, que estava no caminho há quase um mês e a fazê-lo sozinho.
Neste troço existiam muitos
locais de culto (cheios de oferendas a Santiago), onde cada peregrino deixou
uma lembrança pessoal.
Depois de um almoço de caldo galego, calamares e jamon, regado a vinho branco, seguimos para Portomarin (agora sem qualquer paragem).
Depois de um almoço de caldo galego, calamares e jamon, regado a vinho branco, seguimos para Portomarin (agora sem qualquer paragem).
As esplanadas no meio do nada
(zonas rurais) sucediam-se, sempre com bom aspecto e muito acolhedoras.
Portomarin fica junto ao Minho, no centro do qual existem umas ruínas românicas (Portomarin antigo).
Portomarin fica junto ao Minho, no centro do qual existem umas ruínas românicas (Portomarin antigo).
A vila tem uma praça tipicamente
espanhola com igreja, correios e várias lojas debaixo das arcadas. Ali estava a
Pensão Arenas, onde íamos dormir naquela noite.
Depois dos 23 Km começou o
ritual: banho, alongamentos, voltaren, descanso e depois umas compras de
souvenirs e uma visita à igreja (simpática e acolhedora), para meditar sobre as
intenções do dia e do caminho.
Jantámos no restaurante da pensão, debaixo da arcada.
Jantámos no restaurante da pensão, debaixo da arcada.
Conhecemos vários canadianos que
estão a fazer o caminho desde 2 de Setembro (começaram em Saint-Jean) de
bicicleta. O Ricardo, o tal brasileiro, está a fazer este percurso a pé e
começou também em Saint Jean a 27 de Agosto.
Dia 2 - 19 Setembro 2013
(25 Km -
Portomarin - Palas de Rei)
Saímos de Portomarin pelas 08h30,
após o pequeno-almoço.
O caminho fez-se a partir deste
ponto, com muitas subidas e quase sempre junto à estrada.
Parámos em Gonzar a meio da manhã, após os primeiros 8 Km de
caminhada, para comer um bocadillo de tortilla e beber um café.
Seguimos depois até Ligonde, onde acabaríamos por almoçar.
Seguimos depois até Ligonde, onde acabaríamos por almoçar.
Já havíamos feito cerca de 18 Km.
O local onde decidimos parar tinha uma vista fantástica e
campestre e servia comida caseira - casa Mariluz.
Na esplanada, de terra batida, eram muitos os
peregrinos. Os do costume.
| Casa Mariluz |
Encontrámos alguns peregrinos a
cavalo também.
Chegámos a Palas de Rei pelas
16h00.
A beleza do caminho feito hoje,
nada tem a ver com o dia anterior. O facto de ter grandes troços junto à
estrada, evitando a floresta, tira alguma beleza ao percurso.
Chegámos ao destino cansados e
com sono, pelo que jantámos cedo, num restaurante junto à estrada.
A ementa
foi tipicamente galega - polvo, lulas fritas, pimentos padron e vinho branco.
Dia 3 - 20 Setembro 2013
(28 Km - Palas de Rei - Arzua)
Este percurso corresponde a 2 etapas do
caminho (Palas de Rei/Melide e Melide/Arzua).
Como de costume, saíamos pelas 08h30 da manhã.
O tempo estava bom e o caminho era no bosque
(muito mais bonito que no dia anterior).
Fizemos duas paragens para um café - a
primeira em Casanova e a segunda em Campilla.
O pai Carmezim ia sempre a liderar, muito
mais à frente.
Muitos
ciclistas no dia de hoje, num caminho com muitas marcas romanas, (sobretudo
pontes e estradas).
Em Melide, altura em que já havíamos caminhado 15 Km, parámos para lanchar.
Eram ainda 11h45 da manhã.
| Paisagem |
Durante os 14 Km seguintes, com
muitas subidas e debaixo de um calor enorme, foram várias as paragens -
Castanedo e Ribadivo.
Em Ribadivo, um grupo de
peregrinas espanholas bebia cervejas em caneca grande. Um grupo de senhoras de
Granada muito bem-dispostas por sinal!
Era importante parar para
descansar, comer e sobretudo ingerir líquidos.
Chegámos a Arzua pelas 17h30,
ainda com um tempo muito quente.
Hoje senti muitas dores nos pés e
o dia não foi nada fácil.
Quase 30 Km, com calor, é duro e
quanto mais avançamos para o fim da tarde, maior é o cansaço.
As saudades de casa começam a
apertar.
Jantámos
na Casa Teodora (carne de vitela com batatas, costeletas e 2 garrafas de vinho
branco). Era tudo óptimo aqui. E o preço muito bom também.
Dia 4 - 21 Setembro 2013
(30 Km - Arzua - Lacavolla)
Saída de Arzua pelas 08h30.
Apanhámos um nascer de sol fantástico nesse dia.
1ª paragem foi em Salceda (num
local horrível - sujo, barulhento). Mal deu para recuperar forças. Uns metros à
frente, junto à estrada nacional encontrámos sim um restaurante/bar decente,
com bom ar, onde deu para tomar um café e frequentar as casas de banho. A
partir daí a etapa custou. Nunca mais chegávamos ao sítio do almoço (Pedrouzo).
O calor começou a aumentar
entretanto, mas finalmente conseguimos parar uma esplanada para almoçar.
Ementa: Bocadillo caliente,
imperial e licor da casa, para acabar.
Face às temperaturas que se
sentiam e no meu caso, tendo em conta as dores nos pés, os 10 kms seguintes
foram horríveis e dolorosos.
A dor tomou conta dos pés (unhas
e tornozelos - inchado devido ao calor).
Conseguimos finalmente chegar a
Lavacolla pelas 17h30.
Os últimos Kms acho que os fiz a
chorar em silêncio, pelas dores que sentia.
Este percurso, por ser já muito
próximo do destino, era muito frequentado. Tive momentos de me sentir numa
verdadeira excursão e mal dava para meditar e estar comigo mesma.
A parte boa foi de facto o final do dia. Os 3 na esplanada do hotel a retemperar forças. Nada como o pós banho, medicação, pomadas e cremes, com um bom jantar entre os que nos acompanham :)
A parte boa foi de facto o final do dia. Os 3 na esplanada do hotel a retemperar forças. Nada como o pós banho, medicação, pomadas e cremes, com um bom jantar entre os que nos acompanham :)
Dia 5 - 22 Setembro 2013
(11 Km
- Lacavolla - Santiago)
Até aquecer os músculos e os tornozelos as dores continuaram.
Hoje íamos fazer poucos quilómetros e isso já
nos animava mais.
Parámos para um café a cerca de 6 km de Santiago.
Da entrada de Santiago até à Catedral são cerca de 3,5 Kms.
Entrámos na cidade pela chamada "Porta de Santiago ou Porta da Cidade".
Da entrada de Santiago até à Catedral são cerca de 3,5 Kms.
Entrámos na cidade pela chamada "Porta de Santiago ou Porta da Cidade".
Fomos em direcção à Catedral, na
tentativa de assistir à Missa. Impossível. Era Domingo e estavam milhares de
pessoas em Santiago.
Seguimos
para a Pensão Badalada, um pequeno hotel boutique, muito simpático e mesmo no
centro da área histórica.
Seguiu-se
o ritual de ir à "oficina do peregrino".
Almoço
divinal no restaurante "Tulla", recomendado pela Cecília da Pensão :)
Divinal.
Depois, as
compras da praxe - souvenirs - e só mais tarde o banho do dia.
Mais
tarde um passeio pela cidade, por sítios onde antes ainda
não tínhamos passado, nomeadamente esplanadas em jardins
interiores, de uma beleza incrível.
Ainda
conseguimos apanhar uma parte da Missa das seis da tarde, para comungar (eu
pelo menos).
Esta cidade é de facto muito especial, tem uma energia inesgotável e acho que
nunca vou entender por que razão sou apaixonada pelos Caminhos.
| Junto à Catedral |
Tudo tem uma magia especial.
Estou
rendida aos encantos de Santiago e das vibrações que gravitam nos
caminhos.
Este ano,
só no dia seguinte conseguimos entregar as intenções, na capela que existe
dentro da Catedral.
Espero
que Santiago as tenha tido em consideração, porque o esforço físico é
muito, mas é feito com muita fé, sobretudo em mim própria.
Em 2014 lá estaremos de novo!
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Sonhos que falam.
Os meus sonhos falam comigo. Falam de mim, dizem-me dos outros,
dão dicas, preocupações, resoluções ou soluções. Os meus sonhos trazem-me
pessoas que já cá não estão, mas que fazem falta. Dizem como se encontram os
que estão neste mundo, mas que não exteriorizam o seu estado. Indicam estados
de alerta para mim e para os outros ou pura e simplesmente reflectem os meus desejos
para mim e para quem está à volta.
Os meus sonhos falam, apesar do silêncio
da noite. E talvez porque tudo está em silêncio, só falam comigo e só eu os
ouço.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Reviver o passado!
O passado serve apenas
para sabermos o que queremos e não queremos viver no futuro. Das coisas boas
devemos rir e das más, retirar as boas práticas. Voltar ao passado para reviver
o bom e o mau não existe! O bom já não vai ser igual e o mau só pode ser pior –
by Gilda Luis.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
VIVER com CAPS...
![]() |
| A lição é esta... |
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Sou orgulhoso(a), logo sou infeliz.
Das descobertas que tenho feito por aí, esta foi uma delas. O orgulho é, na maior parte das vezes, inimigo da felicidade.
Não o orgulho que se sente por alguém que atingiu ou fez qualquer coisa de muito importante! Falo do orgulho que impede o ser humano de seguir em frente. Aquele que faz com que não façamos qualquer coisa de importante, relativamente ao outro. Falo do orgulho que tolda a visão, a capacidade de sentir e a iniciativa. Do que nos faz repetir e repetir vezes sem conta o mesmo padrão de comportamento, em prol de manter o nosso orgulho acima de qualquer coisa ou pessoa.
Por orgulho não vamos algures, não falamos com alguém, não telefonamos ou escrevemos, não pedimos desculpa, não damos o primeiro passo. Por orgulho e com orgulho não arriscamos e o mais curioso é que ainda conseguimos ficar orgulhosos de nós mesmos.
Não o orgulho que se sente por alguém que atingiu ou fez qualquer coisa de muito importante! Falo do orgulho que impede o ser humano de seguir em frente. Aquele que faz com que não façamos qualquer coisa de importante, relativamente ao outro. Falo do orgulho que tolda a visão, a capacidade de sentir e a iniciativa. Do que nos faz repetir e repetir vezes sem conta o mesmo padrão de comportamento, em prol de manter o nosso orgulho acima de qualquer coisa ou pessoa.
Por orgulho não vamos algures, não falamos com alguém, não telefonamos ou escrevemos, não pedimos desculpa, não damos o primeiro passo. Por orgulho e com orgulho não arriscamos e o mais curioso é que ainda conseguimos ficar orgulhosos de nós mesmos.
sábado, 29 de setembro de 2012
Caminho de Santiago 2012
| Bom Caminho (Setembro 2012) |
No meu caso, é um encontro puramente espiritual, com a religião, comigo mesma, com os outros. Promessas não as tive, até porque como dizia uma professora do liceu, "promessa é uma coisa, negócio com os santos é outra". Por isso, saí daqui com objectivos espirituais e pessoais e com a promessa de chegar ao fim. Pelo caminho ficaram sim, muitas intenções.
3ª semana de Agosto de 2012
Fazer a lista das necessidades para os 6 dias de peregrinação é uma verdadeira odisseia. E, com partida agendada para 21 de Setembro, em Agosto ainda estávamos nesta fase.... ter a lista completa, dividir a compra e o transporte do material de higiene e conforto necessário, saber afinal quem ia alinhar na aventura, comprar material em falta etc.
A 6 dias da partida
No quarto estavam amontoadas as tralhas - mochila, cantil, meias anti-bolhas, cremes disto e daquilo, calças e bermudas, t-shirts, polar, poncho para a chuva etc
Esta semana era a altura para nos dedicarmos à lista dos medicamentos. O treino aos pés e sobretudo a habituação às botas foram também uma constante.
Muito importante: o bloco de notas com as intenções definidas já fazia parte dos haveres para a partida. Como disse, não eram promessas, mas as buscas pessoais desta viagem.
20 Setembro 2012
| As nossas mochilas |
Dia 1 - 21 Setembro 2012
(17 Km)
| Catedral TUI |
| Orbenlle |
Já em Orbenlle parámos para almoçar uma tortilla com salada de atum e passas, num restaurante com uma vista fantástica. Ali estava a Brasileira de Porto Alegre, que mais tarde viríamos também a encontrar várias vezes até ao nosso destino final.
| Na floresta...antes da zona industrial. |
Chegámos a Porriño pelas 16h e lá estávamos nós na pensão Maracuibo - limpa, simpática e com tudo o que precisávamos após os primeiros cerca de 17 km.
Nessa noite havia festa em Porriño, pelo que não foi fácil dormir. Os galegos levam as festas religiosas muito a sério.
Ajudou o vinho tinto ao jantar, a acompanhar umas gambas com alho e um pãozinho do melhor.
Não posso deixar de dizer que nessa noite o "Voltaren" já me fez companhia. As dores começavam nos pés e pernas estavam a começar.
Dia 2 - 22 de Setembro 2012
(19 Km)
![]() |
| Albergue de Mós |
Meio albergue, meio café/cafetaria, com papelaria à mistura, mas tinha de tudo, sobretudo um expresso.
| Café em Mós |
A partir de Mós o percurso foi muito duro (muitas subidas e descidas e chão irregular). Voltámos a parar em Santiaguino, no meio no mato, para comer um lanhe que vinha connosco e recuperar forças. Seguimos então rumo a Redondela. Quase na chegada à grande descida de Redondela, parámos ainda num café/padaria. Um Galego muito simpático, cujo filho estava a fazer o Doutoramento em Lisboa. Os bolos ali tinham Marketing pessoal, de tão bom aspecto....e o senhor recomendou-nos que fossemos dormir ao Hostal Antolin, na praia, com vista para a Ria de Vigo e para a Ilha San Simón.
Seguindo a sugestão do nosso conselheiro, lá mudámos as reservas desse dia para o Antolin na Praia de Cesantes. Mal sabíamos nós é que os Km's seguintes íam custar tanto e que desviar de Redondela para Cesantes ía ser tão doloroso para os pés.
Nas descidas de Redondela foi preciso voltar a parar para descansar, mesmo que junto a um caixote do lixo camarário (verde...igual aos nossos).
Dentro da cidade, voltámos a encontrar um dos nosso peregrinos já conhecidos...a rua do Cruzeiro parecia não mais acabar.
Eu particularmente estava com os pés numa lástima de dor. Antes de Cesantes tivemos de voltar a fazer uma paragem num café de beira de estrada. Ali estávamos literalmente fora do caminho, dado que o desvio que estávamos a fazer não vinha assinalado nos percursos para peregrinos. Acho que nunca uma febra com batatas fritas e ovo estrelado me soube tão bem. Assim retomámos os últimos 3 Km até ao dito Hostal, que nos pareceram uma eternidade. Tudo me doía. Acho que cheguei a pensar "mas o que estou eu a fazer aqui?"
Rapidamente pensava nas intenções que levava comigo e das quais me lembrava todos os dias. Era uma forma de ganhar forças para ir em frente.
| Ilha San Simón |
| Momento para escrever o dia. |
Mais tarde começaram a chegar ao Hostal outros peregrinos: a Brasileira de Porto Alegre, com quem nos tínhamos cruzado no dia anterior, um grupo de Brasileiros do Estado de São Paulo, com que mais à frente viríamos ainda a estar algumas vezes, um Americano de LA de origem Mexicana (lindo de morrer, devo dizer), muito simpático...os nosso amigos alemães (um grupo de 3 que víamos todos os dias)...
| Calçadas para jantar |
Jantar fantástico: canja, mexilhões, calamares fritos e um cheesecake.
Dia 3 - 23 de Setembro 2012
(17 Km)
Para o pequeno-almoço lá voltámos a preferir as meias apenas como calçado. Era importante dar descanso às botas até ao momento de voltar ao caminho. De facto o pequeno-almoço no Hostal Antolin era óptimo e deu para reforçar com pão, fruta e cereais. Fantástica a empregada que estava de manhã - fazia pequenos-almoços, reposições na sala, check-in e check-out, enfim. Uma verdadeira multi-task. Ficámos encantadas com o serviço.
Antes da saída explicaram-nos a forma mais rápida para voltarmos ao "caminho", dado que nos tínhamos desviado cerca de 3 km, para pernoitar na praia.
| De volta ao caminho... |
| Ponte Sampaio |
Em Gandara parámos para um "bocadillo caliente", numa caravana de comidas e bebidas no meio do "quase nada". Já estávamos muito cansadas nesta altura e mais uma vez a minha mochila e o peso, provocavam horríveis dores na cintura e pernas. Um pouco mais à frente, na capela de Santa Marta voltámos a parar para descansar. Eu particularmente estava no limite. A Zélia, ainda assim, conseguia manter-se mais equilibrada fisicamente.
| Caminho |
Antes da chegada a Pontevedra começou a chover muito e tivemos de voltar a parar para nos abrigarmos e nutrir (amendoins e vinho branco - quem diria que nutria - numa taberna onde a ASAE não passou de certeza).
Saímos uma vez mais debaixo de chuva intensa e com os ponchos vestidos.
Chegámos pelas 15h ao Hotel Madrid em Pontevedra. E começou o ritual: banho quente, Vasenol pés e pernas, Voltaren e descanso.
Saímos mais tarde até ao centro da cidade para um almoço/lanche. Mas era domingo e em Espanha, é mesmo dia de não fazer nada. Nada aberto a não ser cafetarias.
Nesta altura os bocadillhos já enjoavam pelo que acabámos num café, giríssimo, na praça mais central da cidade velha, para um croissant com chocolate. Tudo o que a minha criança interior já estava a pedir. A acompanhar...chocolate quente claro!!!
Voltámos ao Hotel e eu lá fui para o ritual do gelo nas pernas. Se assim não fosse nem sei como aguentaria no dia seguinte.
Tentámos sair para jantar, mas precisamente por ser domingo, encontrar algum sítio com "comida a sério" e quente, era uma odisseia. Estava tudo encerrado. Acabámos a noite num Italiano, para um "minestrone" que nos soube pela vida. Estávamos exaustas!
Engraçado foi que, nesse dia, o secador de cabelo (que víamos pela 1ª vez desde que tínhamos saído de Lisboa), apenas serviu para secar as botas. Tinha começado o desapego das coisas materiais.
Dia 4 - 24 de Setembro 2012
(22 Km)
Mais uma odisseia em Pontevedra para tomar o pequeno-almoço. Na Galiza comer pão fresco de manhã cedo é mentira! Até dizíamos, em tom de piada, que "aqui os padeiros deviam ter horários muito mais flexíveis" porque o pão chegava tarde a qualquer sítio.
No café central, com muito bom aspecto, conseguimos sumo de laranja, napolitanas frescas, cola-cao e croissants.
![]() |
| Igreja Santa Maria de Alba |
Depois do check-out no Hotel seguimos em direcção a Alba, onde parámos na igreja para descansar, acender velas e meditar. Seguimos então em direcção a um café ainda naquela localidade para a segunda refeição - sanduíche e um expresso forte.
A partir daqui o caminho foi muito forte (vegetação densa e mística, uma enorme beleza natural, muita chuva, muitas dores físicas e muita emoção associada).São os momentos em que se chora sozinho, mesmo que estejamos acompanhados.
Espiritualmente, parece que muita coisa começou a fazer sentido nesta altura!
| O caminho... |
A cerca de 2 km de Caldas estávamos uma vez mais exaustas. Numa pequena localidade, conseguimos apenas parar no adro da igreja, junto a um parque infantil, para descansar os pés e as pernas.
Nesse dia tudo estava tão difícil que até o Hotel (Hotel Sena), ficava no final da localidade de Caldas dos Reis, pelo que tivemos de andar a pé mais 3 Km, desde que entrámos na cidade.
Quando se está no limite, mais 10 minutos ou 3 Km são uma eternidade e uma dor indescritível.
Assim que chegámos ao hotel iniciámos o ritual de higiene e descanso - banho, creme pés e pernas para relaxar, Voltaren... e uma sesta.
A Zélia descobriu massagens a 17 euros nas termas das Caldas e lá fomos nós ao fim da tarde, com a devida marcação.
| As termas! |
Conseguimos depois um bom sítio para jantar um caldo galego e uma costeleta de comer e chorar por mais.
Uma vez mais encontrámos o peregrino de LA, com ascendência Mexicana e que, soubemos nesta altura, que já tinha feito o caminho francês. Não tem uma perna e faz o caminho com o apoio de uma muleta. Ficámos impressionadas com a força de vontade de um tipo com aquelas características e que não teria mais que 38/39 anos.
Com a massagem desse dia, dormi muito melhor e no dia seguinte sentia-me com menos dor física.
Dia 5 - 25 de Setembro 2012
(19 Km)
Foi um dia muito giro, apesar das fortes dores nos pés e pernas.
Com o efeito da massagem do dia anterior, o amanhecer parecia mais fácil e menos doloroso sobretudo. Acho que o anti-inflamatório ajudou muito.
| No caminho...com chuva. |
Começou a chover copiosamente e por isso chegámos a Pino completamente encharcadas.
Parámos então para um chá e para secar um pouco as botas.
Não ficámos muito tempo. Voltámos rapidamente ao caminho, desta vez rumo a Ponte Cesures.
Nesta localidade procurámos um restaurante chamado "Mesa de Pedra", Restaurante Medieval (http://www.facebook.com/MesaDePedra?fref=ts) ....mas durante o percurso, a Zélia estava entretida com várias chamadas telefónicas a combinar eventos sociais comuns (estar muito tempo longe tem destas coisas e temos de intercalar o espiritual com o que é mais terreno :)...para nos mantermos bem).
Fomos atendidas por um Homem de poucas palavras (pelo menos no primeiro contacto), mas cheio de sabedoria sobre Santiago, o Caminho e afins.
Quando nos sentámos já estavam na mesa 3 peregrinas Brasileiras, entre elas a Dana, com quem passámos a falar mais a partir daí.
Foi-nos servido um óptimo Caldo Galego, seguido de algo que em portugal chamamos "Carne de Alguidar" com batata cozida, queijo e doce de figo, vinho tinto e café de saco (conhecido ali como "café científico" - máquina de café de saco com a cientificidade de ter um temporizador /cronómetro à parte, como o próprio dono do local explicava, para garantir os 3 minutos necessários para um café irrepreensível).
Um local que, em Portugal, não passaria despercebido a uma ASAE, mas que é fantástico e faz as delícias dos peregrinos, pelo acolhimento, simpatia e comida caseira.
Foi aqui que aprendemos que os pimentos padron não são de Padrón, mas sim de Hebrón e que se devem comer sem rabo. "Se vos servirem pimentos com rabo é porque não foram lavados" foi-nos explicado.
| No Mesa de Pedra... |
Saímos do local completamente revigoradas pela comida, conversa, gargalhada, e pela 1h30 de descanso.
Partimos depois para Padrón, a tentar um atalho que nos tinham explicado, para encurtar caminho.
Aqui ficaríamos alojadas no Hotel Jardim - uma casa rústica, senhorial, familiar e muito acolhedora.
| Calçado dos Peregrinos no H. Jardim |
| Jantar em Padrón |
O espírito de grupo e "do peregrino" neste 5º dia foi impressionante. Quando no encontrámos à noite para jantar, ficou claro que "todos estamos ali com o mesmo objectivo, mas todos também com razões diferentes". Cada um sabe das suas razões, intenções, o que procura afinal. Uma verdadeira questão de alma.
Dia 6 - 26 de Setembro 2012
(25 Km)
De Padrón até Escravitude fez-se bem (sem subidas nem descidas e sobretudo sem chuva)!
| Era bom ou não era?! |
Saímos já com alguma chuva desta localidade. Seguíamos para Obese, onde chegámos pela hora do almoço. Segunda parte do roteiro gastronómico do dia: sopa de nabiça, jamon serrano e vinho tinto. O atendimento, sobretudo da proprietária, não era muito simpático, mas o marido compensava a simpatia e a dedicação aos clientes (principalmente às meninas).
Depois de algum tempo de descanso, prosseguimos viagem para Milladoiro. Chovia muito e tivemos de nos abrigar num supermercado. A Zélia aproveitou para nos comprar uns chocolates, o que foi óptimo para reforçar o açúcar, mas sobretudo o ânimo.
| No caminho... |
Neste dia voltámos a estar com o grupo de ingleses, que desde Valença, vinha connosco, nos mesmos percursos. O Mac, como sempre, trazia uma mensagem especial. Desta vez tinha a ver com a dor física que eu mesma sentia - pés, sobretudo dedos e unhas. Este homem era um verdadeiro anjo na terra. Já anteriormente parece que tinha respondido às minhas dúvidas médicas (o que fazer, como minorar aquelas dores....enfim). Agora aparecia para lembrar que as dores que tínhamos não eram nada face a dores de uma vida (uma "lifetime experience", como lhes chamou). Estas dores, como ele dizia, passariam ao fim de uns dias. Outras pessoas no mundo, tinha dores de uma vida. Por isso, este sacrifício físico, era uma forma de nos lembrarmos disso, durante o caminho.
| A 4 Km...
O que se sente numa altura destas é indescritível. Aqueles últimos 4 Km foram no entanto uma eternidade e só a meio da tarde chegámos à catedral.
|
| Finalmente em Santiago... |
Depois de algum tempo a apreciar aqueles momentos, seguimos para a "Oficina " do Peregrino.
| Oficina do Peregrino (dados, diploma e entrega de intenções) |
Agora o que ficou daquele dia: a sensação única de missão cumprida com pena de ter acabado uma caminhada para algo tão importante para cada um; um misto de vontade de rir com vontade de chorar...qualquer emoção não se percebe e muito menos se consegue explicar. Ficou a vontade de olhar à volta e voltar a olhar e ficar a olhar.... para apreciar a praça defronte da catedral. Senti que iria ter saudades destes dias...e tive. Saudades da espiritualidade, das pessoas, das sensações.
Quero voltar, a este ou a outro caminho, quero voltar desde que seja Santiago.
Dia 7 -27 de Setembro de 2012
(Em Santiago)
Acordámos pela 1ª vez sem ter o compromisso de avançar mais 1 km sequer. A sensação é ao início de alívio, porque foram seis dias de cansaço, mas ao mesmo tempo de vazio, por não termos o objectivo quilométrico do dia, os mapas para ler e pensar sobre as paragens mais adequadas, enfim, um misto de dever cumprido com o vazio que agora parecia começar.
| Vista da Varanda do Quarto |
Foi a 1ª manhã em que dispensámos as botas de caminhada, até porque as da Zélia tinham aberto golpes precisamente na chegada à Catedral (ou pelo menos foi quando demos por isso).
Depois de um banho matinal, roupa lavada e pequeno-almoço, seguimos para a Catedral, para a Missa do Peregrino.
Assim que chegámos, encontrámos o grupo da Dana (do Estado de São Paulo - Brasil) e os ingleses que desde sempre nos acompanharam. Quando olhávamos à volta, grande parte dos peregrinos que por ali estava eram pessoas com quem nos tínhamos cruzado ao longo dos 6 dias de Caminho.
A Missa começa com um enorme agradecimento aos peregrinos e um cenário fantástico levado a cabo pelo turíbulo (defumador de metal, preso a 3 correntes). Os movimentos de defumação da peça são enormes e visíveis em quase toda a catedral. É impressionante. A comunhão foi demorada, com tanta gente a querer celebrar o momento. Aquela era também a última missa numa quinta-feira do mês, altura em que se queimavam as intenções. As nossas lá ficaram. Só nós e Santiago as conhecemos. E mesmo que demorem, ele vai tê-las em conta, tenho a certeza.
| Na Missa após a comunhão |
Aproveitámos a ida à Catedral para dar o abraço a Santiago, numa zona própria da igreja.
Saímos depois para almoçar, para ir às compras (porque o frio apertava e a roupa que trazíamos era do tipo Verão) e para comprar os bilhetes de autocarro, para o Porto, para onde partiríamos no dia seguinte. Voltámos mais tarde à Catedral para colocar algumas velas.
| Tarde de Sol |
| Tarde de Sol |
Na Galiza come-se definitivamente muito bem.
Dia 8 -28 de Setembro de 2012
(De volta a Lisboa)
Hoje acordámos e só no pequeno-almoço nos apercebemos que estávamos atrasadas para o autocarro para o Porto. Pois é! Obra do acaso ou não, o despertador não só não tocou, como a hora estava errada.
Correria até ao hotel, para apanharmos as mochilas, depois até ao táxi, para chegarmos ao autocarro. Entrámos pela plataforma dos autocarros, em plena garagem, com o embarque já a terminar. Mesmo a tempo!
Saíamos de Santiago e começámos a percorrer no BUS alguns dos locais onde havíamos passado a pé. A sensação é estranha. Numa hora andámos o que tínhamos levado cerca de 3 dias a fazer em caminhada.
Dormimos a viagem quase toda até ao Aeroporto do Porto. Uma vez aí, acabámos por conseguir apanhar um voo mais cedo que o previsto para Lisboa.
Quando aterrámos na Portela a sensação é a de que tínhamos sido tele-transportadas de um sítio longínquo e inacessível mas cheio de paz. Instalou-se a sensação de ter vindo de Marte em pouco mais de 2 horas.
No final da viagem o que ficou? Costumo dizer que ficaram 3 marcas desta experiência:
Acredito que 2013 vai trazer um novo caminho, este ou outro, com novas histórias, pessoas, mas quem sabe com as mesmas intenções.
Correria até ao hotel, para apanharmos as mochilas, depois até ao táxi, para chegarmos ao autocarro. Entrámos pela plataforma dos autocarros, em plena garagem, com o embarque já a terminar. Mesmo a tempo!
Saíamos de Santiago e começámos a percorrer no BUS alguns dos locais onde havíamos passado a pé. A sensação é estranha. Numa hora andámos o que tínhamos levado cerca de 3 dias a fazer em caminhada.
Dormimos a viagem quase toda até ao Aeroporto do Porto. Uma vez aí, acabámos por conseguir apanhar um voo mais cedo que o previsto para Lisboa.
Quando aterrámos na Portela a sensação é a de que tínhamos sido tele-transportadas de um sítio longínquo e inacessível mas cheio de paz. Instalou-se a sensação de ter vindo de Marte em pouco mais de 2 horas.
No final da viagem o que ficou? Costumo dizer que ficaram 3 marcas desta experiência:
- conhecemos melhor os nossos limites físicos e até que ponto esses limites impactam nos limites emocionais (até onde e como aguentamos sem dor física e a partir de quando essa dor nos causa sofrimento e lágrimas);
- damos mais valor ao outro e sabemos que o espírito humanitário afinal existe e que, existem pessoas, tal como nós, que de forma desinteresseira e desinteressada, se preocupam e ajudam o outro;
- valorizamos coisas básicas que temos no dia-a-dia e que numa situação de esforço físico e emocional, fazem toda a diferença (como é o caso de uma refeição quente).
Acredito que 2013 vai trazer um novo caminho, este ou outro, com novas histórias, pessoas, mas quem sabe com as mesmas intenções.
Subscrever:
Mensagens (Atom)










